Vida na penumbra

 

Se você acha que os vermes são animais asquerosos, com certeza não conhece as planárias! As planárias são platelmintos de vida livre, importantes para a manutenção de ecossistemas de água doce, pois fazem parte da cadeia alimentar. Isso é o que se pode demonstrar através do experimento proposto a seguir.

 

Palavras-chave

Pontociência; biologia, platelmintos; planárias; ocelos; fotofobia.

Você vai precisar de:

Materiais para projeção:
Planárias;
Placa de Petri ou vasilha de plástico transparente;
Retroprojetor;
1 folha de papel branco e 1 folha de papel preto;
Pipeta ou conta-gotas;

Materiais para coleta de planárias:

Fígado ou outro tipo de carne crua;
Garrafa de PET;
Tela fina de arame, filó ou nylon;
Barbante;
Tesoura;
Gaze;
Bandeja de plástico.

 

Mãos à obra

 
Passo 1
Coletando as planárias

As planárias vivem em água doce e por isso podem ser coletadas em um riacho, em um lago não artificial ou nas águas de uma represa, através de um dos procedimentos descritos a seguir:

Método 1 - Envolva um pedaço de fígado cru ou outro tipo de carne com gaze e coloque-o dentro de uma garrafa de PET cortada ao meio. Tampe o recipiente com uma tela de arame, filó ou nylon, para impedir que outros animais levem o alimento. Amarre uma corda ou barbante à garrafa e ponha-a na água perto de plantas, troncos submersos ou rochas. Você pode amarrar a ponta da corda numa estaca à margem do riacho e ficar observando. Quando as planárias estiverem dentro da garrafa é hora de puxar a corda.

Método 2- Com uma garrafa de PET cortada ao meio e tesoura, colete água e plantas aquáticas próximas à borda da margem, em local sombreado. Armazene todo o material coletado em um recipiente grande.

 

Passo 2
Manutenção das planárias

Coloque as planárias em um recipiente com um pouco de água doce do próprio local da coleta. As planárias são inofensivas ao homem, mas são carnívoras e devem ser alimentadas, de duas a três vezes por semana, com um pequeno pedaço de carne ou ração para peixe carnívoro. Se for utilizar carne fresca, troque-a a cada 24 horas, para evitar que apodreça e com isso as planárias acabem morrendo. Troque a água do recipiente a cada 20 dias, utilizando água de torneira desclorada. Para se retirar o cloro, basta deixar aberta uma vasilha com água, durante 24 horas.

*Obs: Para este experimento você precisará de no mínimo 10 planárias. Se não conseguir coletar um número igual ou superior a este, você pode induzir uma reprodução assexuada, cortando cada planária em duas partes, de forma a separar cabeça e cauda. Cada uma das partes irá regenerar o resto do corpo que lhes falta em aproximadamente 15 dias. Para cortar as planárias, coloque-as em uma placa de Petri posicionada sobre um cubo de gelo.

 

Passo 3
Demonstração da fotofobia das planárias

Colocar todas as planárias em uma placa de Petri ou em um recipiente transparente (aproximadamente 10 cm de diâmetro), sem tampar, contendo um pouco de água desclorada. Cuidado para não danificá-las: se for necessário, utilize uma pipeta ou conta-gotas de ponta larga para transportá-las.

Forre parte da superfície do retroprojetor com uma folha de papel branco e sobre ela um papel preto. Posicione a placa de Petri sobre a superfície do retroprojetor, de forma que 40% de sua superfície fique sobre o papel preto. Isso deve ser feito para se tentar minimizar ao máximo a passagem de luz para a região forrada com o papel.

Com a ajuda da pipeta, coloque as planárias no setor exposto à luz. Logo em seguida, ligue o retroprojetor e convide seus alunos a observar, pela projeção, o movimento das planárias. As planárias fogem da luz! Por que isso acontece?

 

O que acontece

No final do passo 3, as planárias fogem da luz do retroprojetor e se concentram em uma região menos iluminada. Elas fazem isso porque são fotofóbicas e, assim como os outros seres vivos, as planárias têm estruturas que lhes permitem perceber o estímulo luminoso (fotorreceptores). Nas planárias, essas estruturas são denominadas de ocelos. Eles ficam na região da cabeça e se parecem com dois olhos. As planárias detectam também sabor e odor, através de quimiorreceptores localizados nas aurículas.

Mas será que a fotofobia das planárias ajuda na sua sobrevivência? Se consideramos que a sua permanência em locais abertos e iluminados significa maior exposição a predadores, podemos analisar a fotofobia como uma vantagem evolutiva para as planárias. Em outras palavras, aquelas que não eram fotofóbicas foram extintas durante a evolução.

Sugestão de pesquisa

À noite, quando abrimos a porta do quarto e acendemos a luz, é comum flagrarmos algumas baratas se escondendo debaixo da cama. Elas são fotofóbicas? Onde ficam seus fotorreceptores? Para as baratas sim, a fotofobia parece ser uma grande vantagem evolutiva...

Para saber mais

As planárias não apresentam sistemas respiratório e circulatório. O oxigênio entra e se distribui pelo seu corpo através de difusão. Como elas não possuem vasos sanguíneos, os carboidratos, as proteínas e os lipídeos, essenciais para o funcionamento de suas células, também são transportados através de difusão. Mas a falta de vasos sanguíneos não compromete a sobrevivência das planárias porque elas são pequenas, o que garante uma oxigenação e nutrição eficiente de todas as células do seu corpo.

 

Veja também

Colunista mostra como regeneração de planárías pode ajudar a combater o câncer e outras doenças. Disponível em: <http:// cienciahoje.uol.com.br/51 328>.

 

 

Referência: Matheus, A.L.; Reis, D.D; Paula, H.F. e- "Ciência na tela experimentos no retroprojetor".

 

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